“Acho que a possibilidade de ‘escrever’ sem precisar de um texto é o que mais me atrai. Por mais que não haja um texto ali, as pessoas falam que ‘leram meu livro’, não apenas que ‘o viram’.”

Virgílio por Virgílio

 

Entrevista com Virgílio Neto, autor de Talvez o mundo não seja pequeno:

 

1 – Qual a história por trás de Talvez o mundo não seja pequeno?

A história de alguém que é curioso e encantado por algumas coisas do mundo e que usa o desenho pra compartilhar esse encanto com outras pessoas.

2 – Foi um livro difícil de ser produzido?

Por um lado foi tranquilo, apreciando cada etapa do processo. Por outro lado, fazer escolhas pode ser bastante difícil e penoso, e editar um livro é fazer escolhas o tempo todo! Mas tentei lidar com isso de forma mais natural, deixando o processo mais orgânico possível.

 

3 – Que possibilidades uma história sem texto te impulsiona?

Acho que a possibilidade de “escrever” sem precisar de um texto é o que mais me atrai.Por mais que não haja um texto ali, as pessoas falam que “leram meu livro”, não apenas que “o viram”.

 

4 – Quando você começou a pensar na construção de narrativas através do desenho?

Acho que quando entendi que o desenho não representa algo, mas revela sua vontade de falar sobre algo.

 

5 – Quem foram os autores/artistas que você admirava à medida que crescia?

São tantos! Troco de mestre a cada semana (risos). Mas todos foram (e são) importantes em cada etapa do meu percurso como artista. Vou citar alguns que desceram da estante e estão circulando em minha mesa nos últimos dias: Hilda Hilst, Borges, Waly Salomão, Raymon Pettibon, Willian Kentridge, Ralph Gehre…

 

6 – Que tipo de publicações te atraem?

As belas! (risos) Como trabalho com design gráfico e também com produção gráfica, tenho uma relação muito forte com o suporte em si mesmo: o acabamento, o tipo de impressão, a qualidade do projeto gráfico etc. Me interesso também por publicações que exploram seus limites, nos obrigando a relacionar com ela de outra forma.

Mas, claro que o conteúdo também é importante…, nada mais triste que uma boa obra presa numa publicação que não a mereça. Uma boa publicação tem que refletir a paixão daquele que a fez.

 

7 – Quando você começou a se envolver com publicações e quando começou a publicar?

Entrei no curso de design gráfico porque já tinha interesse em impressos. Lá esse interesse aumentou ainda mais. Em 2011, formei um ateliê coletivo (o Espaço Laje) com outros colegas das artes, quadrinhos, design; isso me incentivou a publicar alguns zines e livros de artistas de pequena tiragem. Mas minha primeira grande publicação foi pela A Bolha.

 

8- O que o ato de publicar significa pra você?

Significa acreditar em um conteúdo. Trabalhar nele com carinho e por fim, compartilhar.
(Pode ser uma comparação piegas, mas pra mim é como um filho: você gasta muita energia e amor cuidando dele para depois devolvê-lo ao mundo).

 

9 – O que você tem feito? Algum projeto novo em vista?

Me divido entre a profissão de designer gráfico (no momento desenvolvendo um catálogo de uma mostra e fazendo produção gráfica para um livro d’ A Bolha Editora) e de artista (estou produzindo novos desenhos para uma exposição no segundo semestre).

 

10 – O que você faz no seu tempo livre?

“Teatro, boate, cinema, qualquer prazer não satisfaz…”

Saio com amigos. Leio. Arrumo minhas coisas. Viajo. Desarrumo minhas coisas. Toco violão. Compro livros. Cozinho.

 

11 – Onde você mora hoje?

Brasília.

 

12 – Por que você acha que as pessoas têm tanto medo do próprio corpo?

Talvez porque elas não olham nem escutam seu próprio corpo (não me excluo dessa parte, mas estou tentando melhorar).

 

13 – Um bar em Brasília.

Moisés, na 208 sul.

(obs: pedir a picanha de sol na chapa)

 

SOBRE O ARTISTA : Virgílio Neto é artista plástico, residente em Brasília. Utiliza o desenho como principal suporte. Formado em Desenho Industrial pela Universidade de Brasília, teve seus trabalhos expostos pela primeira vez em 2008. Desde então participou de cerca de vinte exposições em várias cidades do Brasil e também nos Estados Unidos e Inglaterra. Em 2011, foi selecionado para cinco salões de arte, incluindo o Rumos Itaú Cultural 2011/2013. Foi premiado no 17º Salão Anapolino de Arte. Ainda em 2011 realizou sua primeira individual: a exposição Diálogos, no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco). Em 2012 obteve o primeiro lugar no Prêmio EDP nas Artes do Instituto Tomie Ohtake. Em 2013 realizou duas exposições individuais, uma em Banff Centre no Canadá e outra na sede da Funarte em Brasília. É um dos sócios fundadores do Espaço Laje, em Brasília.

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