“Eu posso brincar com as cores e as composições para tentar chegar mais perto de uma ideia sem totalmente entender aonde estou tentando chegar.”

Jesse Moynihan por Jesse Moynihan

 

Entrevista com Jesse Moynihan, autor de Forming:

1 – Qual a história por trás do Forming?

Forming é a minha história original de consciência ativa sobre o ego, a vida material e o potencial de todas as coisas vivas de se elevarem ou afundarem num lixão coletivo. Eu não tenho total certeza do que é a história, na verdade. Não, até eu terminar. Então talvez eu saiba.

2 – Foi um livro difícil de ser feito?

Sim, mas todo livro ou história é difícil de ser feito se você realmente se importa com ela. Se não dá a mínima, e só está defecando histórias de diarreia, então talvez isso seja fácil. Toda história com que você se importa é um misto de fácil e difícil, creio.

Algumas partes fluem fácil, porque talvez seja algo que você sinta muito forte. Outras partes tem que se trabalhar e tentar entender do nada, e isso pode ser muito difícil. E o todo você precisa equilibrar e apresentar de uma forma convincente, e isso pode ser como resolver um quebra-cabeças muito difícil. Eu não sei. Imagino que provavelmente é difícil pra todo mundo.

 

3 – Que possibilidades uma narrativa visual te apresenta?

O cenário da narrativa visual me dá uma chance de retratar a poesia da vida fluindo livre. Eu não tenho que explicar emoções e a filosofia exclusivamente por palavras. Me dá muita chance para brincar com significados. E dá a liberdade do espaço para que tire um sentido pessoal do trabalho. É libertário e redentor. Eu posso brincar com as cores e as composições para tentar chegar mais perto de uma ideia sem totalmente entender aonde estou tentando chegar.

 

4 – Quando você começou a pensar em narrativas?

Provavelmente quando eu desenhava um quadrinho chamado “Dan the Warrior” no colégio. Era uma série sobre um guerreiro chamado Dan. Eu acho que ainda a tenho em algum lugar na casa dos meus pais.

 

5 – Quais são os autores/artistas que você lia e admirava enquanto crescia?

Enquanto crescia eu lia Michael End, Roald Dahl, Madeleine L’Engel, Ursula K Le Guin, Quentin Blake, Ralph Bakshi, The Shaw Brothers, Lloyd Alexander, Gary Larson, Arthur Adams, Todd McFarlane e todos aqueles intensos e superconsagrados artistas dos anos 90.

 

6 – Que tipo de publicações te atraem?

Eu particularmente tenho lido livros sobre espiritualidade e ocultismo. De forma preferencial leio quadrinhos que meus amigos lançam, mas acabei de ler Nausicaa do Miyazaki e me deixou de queixo caído.

 

7 – Como você começou a se envolver com publicações, e há quanto tempo você publica?

Comecei vendendo miniquadrinhos no início dos anos 2000. Então consegui uma ajuda financeira da Xeric Foundation para publicar alguns livros em 2005. Desde então me envolvi com Randy Chang, que me ajudou a distribuir meu trabalho e publiquei a minha primeira novela gráfica. Também fazia uma tirinha na revista Philadelphia Weekly, por mais ou menos um ano. Foi basicamente assim que comecei.

 

8 – Você pode nos dizer o que o ato de publicar significa pra você?

Nesse momento, publicar para mim significa alcançar as pessoas que não são indolentes, pessoas que estão ativamente purgando a alma e cultivando um ambiente artístico. Não tenho ideia do que estou dizendo. Presumo que o que eu quero dizer é que eu sinto repulsa do Tumblr, Instagram, Twitter e todas as formas de entretenimento que chegam até o leitor através de um feed. Estou de saco cheio disso, URGH.

 

9  – E o que você tem feito? Quais outros projetos tem alinhado para o futuro?

Estou trabalhando tanto quanto posso no último volume de Forming. Estou prestes a largar o meu trabalho no Adventure Time para focar em quadrinhos. Também tenho tido ideias diferentes de shows para canais de TV. Mas quem sabe quando isso vai dar certo? Também gravo música no meu estúdio caseiro sempre que posso.

 

10 – E o que você faz no seu tempo livre?

Eu fui ver o novo filme dos Vingadores outro dia desses. Me deixou de bom humor. Gosto de comer bastante e cantar em bares de karaokê. Às vezes eu namoro alguém. E jogo videogames também. A maior parte do tempo desenho e fico desorientado em casa. Comecei a meditar recentemente. Apenas dez minutos por dia. Tem sido muito bom.

 

11 – Onde você mora?

Em Echo Park, Los Angeles, com meu irmão. Compomos músicas juntos e trabalhamos num piloto de desenho animado chamado “Manly“, que você pode encontrar no Youtube se quiser.

 

12 – Por que você acha que as pessoas têm tanto medo do próprio corpo?

Conheço algumas pessoas que definitivamente não têm medo do próprio corpo. Ele é tudo que temos. É uma coisa sagrada que vale proteger e também surrar.

 

SOBRE O ARTISTA : Jesse Moynihan cresceu nos arredores de Filadélfia (EUA) onde passou a maior parte do seu tempo desenhando e tocando. Em 1997, deixou o Pratt Institute, se formou em cinema pela Temple University e decidiu se concentrar em narrativas visuais/quadrinhos. Tem trabalhos publicados no The Believer, MOME, Vice, Arthur, Philadelphia Weekly e várias outras antologias independentes. Em 2005, recebeu a bolsa Xeric para autopublicação. Em 2009, lançou sua primeira novela gráfica, Follow Methrough Bodega. Seu trabalho atual, Forming, uma trilogia épica que abarca 50 mil anos de postulações sociorreligiosas e as joga no liquidificador, é publicada pela Nobrow na Inglaterra e pela A Bolha, no Brasil. Jesse trabalha como escritor/artista de storyboard para a série do Cartoon Network, Adventure Time. Recentemente Moynihan cocriou um curta de animação “Manly”para o canal do Youtube do Cartoon Hangover.

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