Making Gay History

4a Temporada – Episódio 9: Ernestine Eckstein

Tradução de Daniel Lühmann

 

Notas do episódio

De Eric Marcus: Lá no fim dos anos 1980, uma das pessoas que eu estava especialmente interessado em incluir no meu livro de história oral foi alguém que me saltou aos olhos em uma fotografia antiga. Era a única mulher afro-americana na linha de frente de uma manifestação em 1965, em frente à Casa Branca.

Acabei conseguindo associar um nome a esse rosto, ou melhor, um pseudônimo. Como era comum à época, Ernestine Eckstein não usava seu nome real ao participar do movimento. Ernestine apareceu em outra foto icônica – a capa da The Ladder, a revista das Daughters of Bilitis, em junho de 1966. Foi a primeira afro-americana a fazer isso, apesar do risco considerável de ser descoberta e demitida de seu emprego no serviço civil.

Então decidi ir atrás de Ernestine e procurei, procurei, procurei, mas só cheguei a becos sem saída. Tentar encontrar alguém só com um pseudônimo e muito antes da internet era um esforço árduo. Eventualmente acabei desistindo.

 

Teste de impressão de foto de Ernestine Eckstein e um homem não identificado na terceira manifestação na Casa Branca, em 23 de outubro de 1965, organizada para protestar contra a discriminação do governo em relação aos homossexuais. Seu cartaz traz escrito: “Negar a igualdade de oportunidade é imoral”. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

 

Foi ideia da Sara Burningham, produtora-executiva do podcast, retomar as buscas, e ela ficou sabendo pelo trabalho exaustivo de Marcia Gallo sobre a documentação das Daughters of Bilitis que o power couple homófilo Barbara Gittings e Kay Lahusen tinham gravado uma longa entrevista com Ernestine em 1965. E Sara encontrou no meio dos papéis da Barbara na Biblioteca Pública de Nova York uma cópia digitalizada dessa mesma entrevista.

Foi assim que conseguimos apresentar Ernestine Eckstein a você para além de suas fotografias. E acontece que o que ela tinha a dizer sobre o início do movimento pelos direitos dos gays e a direção que o movimento deveria assumir era tão avançado em 1965 quanto sua participação escancarada em algumas das primeiras manifestações realizadas e sua decisão de aceitar o convite de Barbara e Kay para ser a primeira afro-americana em destaque na capa da The Ladder.

Se você ouvir com atenção, num determinado momento da entrevista, Ernestine se descreve como uma “profeta social”. Eu não podia concordar mais com isso.

Para saber mais sobre Ernestine Eckstein, explore os materiais e links abaixo. A transcrição completa do episódio vem em seguida.

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Leia uma análise da importância de Ernestine Eckstein como ativista LGBTQ neste artigo do NewNowNext.

Veja aqui a edição de junho de 1966 da The Ladder que traz Eckstein na capa e leia a entrevista que Barbara Gittings e Kay Tobin fizeram com ela. Gittings e Lahusen apareceram em dois episódios do Making Gay History,  aqui e aqui. E Kay também apareceu em um episódio bônus sobre o jantar “gay” que realiza mensalmente na casa de repouso onde ela vive atualmente.

Ernestine Eckstein na capa da edição de junho de 1966 da The Ladder. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

Para mais informações sobre a The Ladder, revista publicada pelas Daughters of Bilitis, leia a matéria de Malinda Lo no site AfterEllen.com e o relato de Marcia Gallo dessa história aqui. Além disso, visite uma exposição da GLBT Historical Society sobre a The Ladder neste vídeo.

Para saber mais sobre as Daughters of Bilitis, leia o livro Different Daughters – A History of the Daughters of Bilitis and the Rise of the Lesbian Movement e ouça também nosso episódio com as cofundadoras das DOB, Del Martin e Phyllis Lyon.

Ernestine Eckstein foi uma das primeiras participantes das manifestações de “lembrete anual” organizadas por organizações homófilas – sob liderança de Frank Kameny – de 1965 a 1969 no Independence Hall na Filadélfia. Você pode ver Eckstein de relance em 28’50” do controverso programa da CBS “The Homosexuals”, realizado em 1967 e apresentado pelo correspondente veterano do programa “60 Minutes”, Mike Wallace. Você também pode ver um registro da manifestação anual de 1968 no documentário curta-metragem “The Second Largest Minority”, de Lilli Vincenz, aqui.

Depois de seu envolvimento com o movimento pelos direitos dos gays, Eckstein concentrou suas energias em questões do feminismo negro e tornou-se ativista da BWOPA (Black Women Organized for Political Action ou Mulheres negras organizadas pela ação política). Leia sobre a missão e o histórico da organização aqui.

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Transcrição do episódio

Narração de Eric Marcus: Eu sou Eric Marcus e este é o Making Gay History!

A primeira vez que vi Ernestine Eckstein – já há trinta anos – eu não fazia a menor ideia de quem era ela. Mas nunca vou me esquecer da imagem. Eu estava vendo fotografias em preto e branco de uma manifestação em outubro de 1965 em frente a Casa Branca, organizada por Frank Kameny, fundador da Mattachine Society em Washington, DC. Foi uma das primeiras vezes que gays se organizaram para se juntar e reivindicar publicamente seus direitos aqui nos EUA.

As fotos mostravam uma dúzia de homens brancos sérios usando ternos e andando em círculos empunhando seus cartazes de protesto. Do que eu podia ver, só havia uma única exceção – uma única mulher nesse desfile de homens protestando. Uma mulher negra. Vestida com roupas de escritório estilosas – uma blusa branca, saia de alfaiataria escura e escarpim de salto baixo. Seus elegantes óculos com armação branca de gatinho se destacavam na imagem. Ela trazia um cartaz feito à mão com letras firmes. A mensagem em letras maiúsculas dizia: “Negar igualdade de oportunidade é imoral”.

Ela estava bem ali, na vanguarda, tão visível. Mas quem era ela? Minha pesquisa lá nos fins dos anos 1980 encontraram seu nome: Ernestine Eckstein. Mas eu não conseguia encontrá-la. Só me deparava com becos sem saída. Eventualmente acabei desistindo. Mas felizmente outra acadêmica LGBTQ e historiadora oral não desistiu…

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Marcia Gallo: Eu sou Marcia Gallo, historiadora da cultura e das vidas de lésbicas, gays, bis e trans. Escrevi um livro intitulado Different Daughters, A History of the Daughters of Bilitis and the Rise of the Lesbian Rights Movement [Filhas diferentes: a história das Daughters of Bilitis e a ascensão do movimento pelos direitos das lésbicas].

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Narração de EM: Em meados dos anos 1960, Ernestine Eckstein era vice-presidente da seção de Nova York da organização homófila Daughters of Bilitis, as DOB. Ela era visionária. Acabou por antecipar, prever e prenunciar muitas das questões que a comunidade LGBTQ enfrentaria nas décadas seguintes.

Ernestine também foi uma pioneira garota da capa – em junho de 1966, ela se tornou a primeira mulher negra a estrelar a capa da The Ladder, revista publicada pelas DOB. Assim como eu, Marcia Gallo também queria encontrar Ernestine.

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MG: Eu estava decidida a desafiar essa narrativa de que as DOB eram esse grupo de moças brancas, de classe média e assimilacionistas, adequadas e convencionais em todos os aspectos. E eu estava buscando maneiras de romper com essa narrativa.

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Narração de EM: Marcia Gallo não encontrou Ernestine em si, mas conseguiu encontrar sua voz. Neste episódio, você vai ouvir pela primeira vez Ernestine Eckstein em suas próprias palavras.

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MG: Em 2002, quando eu estava trabalhando na minha dissertação sobre as Daughters of Bilitis, Barbara e Kay estavam entre as primeiras pessoas com quem conversei, claro. E elas me mostraram todas suas edições da The Ladder.

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Narração de EM: A pioneira ativista Barbara Gittings foi editora da The Ladder de 1963 a 1966, e sua parceira na vida e no ativismo, Kay Lahusen, era uma fotojornalista que também escrevia para a revista.

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MG: Eu notei a mulher negra na capa dessa famosa edição e perguntei a Kay quem era ela, e ela me disse: “Ah sim, você precisa conhecer a Ernestine Eckstein.”

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Narração de EM: A maior parte do que sabemos sobre Ernestine e seu papel no movimento pelos direitos dos gays antes de Stonewall vem dessa matéria de capa de junho de 1966.

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MG: Que ela foi vice-presidente da seção de Nova York das DOB, que ela estava à frente do seu tempo, que ela vinha pressionando as pessoas para fazer mais trabalhos de ação social.

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Narração de EM: Mas a Kay queria que a Marcia soubesse que tinha mais coisa aí. Muito mais…

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MG: E ela me contou sobre a entrevista de cinco ou seis horas que elas tinham feito.

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Narração de EM: Lá atrás em 1965, quando Kay e Barbara entrevistaram Ernestine para a matéria da The Ladder, elas gravaram a conversa. Inteirinha.

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Barbara Gittings: Fique sentada aqui para que as suas perguntas possam ser ouvidas com clareza.

Kay Lahusen: [Inaudível]

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Narração de EM: Ouvir essa entrevista pela primeira vez foi como abrir uma porta e entrar na sala para conhecer Barbara Gittings, 33 anos, claramente gripada na ocasião, Kay Lahusen, 35 anos, estrela em ascensão do movimento, e Ernestine Eckstein, 24 anos, que acabara de se mudar de Indiana para Nova York dois anos antes.

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KL: Você quer contar o que estudou na faculdade?

Ernestine Eckstein: Eu fazia jornalismo, jornalismo de revista. Na Escola de Jornalismo da Indiana University, a formação secundária é… Tem tantos créditos quanto a formação principal, então, de certa forma, eu fiz duas formações. E depois minhas formações secundárias eram em psicologia e russo.

KL: Russo?

[Pessoa não identificada]: Eu ia dizer isso, russo.

BG: Uau.

KL: Você aprendeu bastante coisa? Quantos cursos você fez?

EE: Com certeza!

KL: Quantos cursos você fez?

EE: Em quê? Em quê?

KL: Em russo.

[Pessoa não identificada]: Como é russo, Ernestine? Fiquei curiosa.

EE: [Frase em russo]

[Risadas]

BG: Parece bastante familiar.

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MG: Ela não diz muito sobre sua origem. Tudo o que sabemos vem dos seus anos de faculdade. Sabemos que era uma ótima aluna e que estudou – o que também é fascinante – jornalismo de revista, russo e política governamental. Ok. Isso me lembrou de Lorraine Hansberry, que também estudou russo e também era jornalista, claro. Elas sempre me lembravam uma da outra e, como você sabe, Hansberry escreveu para a The Ladder no início, logo antes de Raisin in the Sun [em português, O sol tornará a brilhar] estrear na Broadway, e disse: “Apoio o que vocês estão fazendo, mas simplesmente não posso me envolver”. Por isso, a Ernestine dá a impressão de ser aquele tipo de pessoa interseccional que usa todos os seus dons e todas as suas experiências em seu trabalho político.

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KL: E quando foi que você se mudou para Nova York? 

EE: Eu me mudei para Nova York em maio de 1963, há quase três anos. Eu meio que passei por aquela fase de me encontrar, de decidir onde eu estava, como me posicionar e, depois de ter decidido isso, a próxima coisa em pauta era encontrar um modo de participar do movimento, mais ou menos. Porque eu sempre pressupus que havia um movimento ou que deveria haver. E depois de decidir onde se está, você passa a decidir o que pode fazer com isso.

KL: É mesmo? Você quer dizer que decidiu que era lésbica e depois, bom, que deve haver um movimento?

EE: Foi mais ou menos isso, sim.

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MG: Ela tinha acabado de se mudar para Nova York porque Nova York parecia ser o lugar para se estar, dizia ela. E, bom, ela não sabia nada sobre ser gay tanto para si mesma quanto para o mundo, e meio que começa a explorar isso quando chega em Nova York.

EM: As pessoas viviam num isolamento tamanho em relação à sua orientação sexual na época porque tinha pouquíssima informação.

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KL: Bom, tem muitos homossexuais com quem a gente conversa, especialmente na região Centro-Oeste ou em algumas partes mais isoladas do país, que nunca nem sonharam que havia uma organização.

EE: É mesmo? Bom, você sabe, eu acredito muito em Nova York.

KL: Ah, que bom! Eu também.

BG: Foi por isso que você veio pra cá? Você sabia que era lésbica antes de vir?

EE: Não. Não, eu não sabia antes que era lésbica. É um negócio bastante engraçado porque eu sempre tive uma forte atração por mulheres. Isso era uma certa lacuna que nunca fora preenchida por nada – leituras, experiências, nada – até quando eu tinha vinte e dois anos. Era formada na faculdade e tal, mas nunca soube nada disso.

BG: E você não sabia que tinha outras pessoas que se sentiam iguais a você?

EE: Não, não sabia. Não sabia mesmo.

BG: Quando você descobriu que era especial, como foi que isso te afetou?

EE: Bom, eu costumava pensar: mas o que tem de errado comigo? Entende? Mas eu pensava que talvez… Sabe, eu sempre tive a impressão, acho, de que não tem nada de atípico em pessoas que reagem a outras pessoas, independente do sexo. Nunca pensei nisso em termos de homossexualidade, mas sempre achei que o amor, sabe, meio que transcende qualquer tipo de rótulo, tipo, negro, branco, homem, mulher, esse tipo de coisa.

BG: Bom, então você veio para Nova York e…

KL: Essa bicharada pra todo lado foi um choque pra você?

EE: Não, não. Na verdade, eu tinha um amigo na faculdade que tinha vindo para Nova York antes. Ele era meu melhor amigo. Eu nunca soube por quê. Não era uma relação sexual, tampouco uma relação romântica. Ele era homossexual, mas eu não sabia disso até chegar aqui.

KL: Ele sabia disso?

EE: Ah, ele sabia sim.

KL: Mas ele não te contou.

EE: E ele não me contou. Nós tínhamos uma relação muito boa na faculdade, entende. Podíamos fazer tudo juntos, nos comunicar de verdade. Simplesmente o melhor da amizade, mas nada de romance. Eu gostava disso daquele jeito e ele também. Nunca entendi por quê – mas também nunca pensei, nunca questionei isso.

Daí, eu vim para Nova York e ele foi uma das primeiras pessoas que procurei. E ele disse: “Ernestine, você sabe que eu sou gay?” E eu pensei: bom, você está feliz, e daí? Eu não conhecia o termo “gay”! Foi ele que me explicou e, de repente, as fichas começaram a cair.

Na época, eu meio que tinha uma atração pela minha colega de quarto e pensei: será que estou atraída sexualmente…? E acabei percebendo que talvez estivesse sexualmente atraída pela garota, não só emocionalmente. Foi assim. É muito engraçado, de fato.

KL: Ele te contou que os gays estavam por toda parte e você não conseguia acreditar?

EE: É. Ele meio que me apresentou para a comunidade homossexual. Porque ele é uma rainha. Quer dizer, aqui. Ele era um pouco diferente aqui em Nova York do que era lá em Indiana.

KL: Aposto que sim.

EE: Ele era um cara boa pinta, sabe. Ele meio que anda cheio de balanço e olha pra todos os garotos na rua. Saidinho mesmo.

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EM: Como foi para você ouvir a voz da Ernestine pela primeira vez?

MG: Foi muito empolgante. O que reparei na primeira vez que ouvi a entrevista foi a insistência dela na ação social, que era hora dos camaradas homófilos irem pras ruas.

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KL: Você é considerada radical entre as lésbicas?

EE: Bom, essa é uma pergunta muito difícil de responder. Pessoalmente, eu me considero, hum, bastante na média e normal em todos os sentidos do termo. Não radical, apenas… Para mim, esse é o jeito que dá para ser. Agora, acho que comparando com outras lésbicas, minhas ideias são mais à esquerda do que as delas. A maioria das lésbicas que conheço apoia os protestos, mas elas mesmas não protestam. Então, no que diz respeito às ideias, talvez estejamos alinhadas, mas eu meio que vou um pouquinho além nessa coisa de ir pra linha de frente das manifestações em outras cidades.

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MG: Certo. E todas essas fotos incríveis dela, a única mulher e a única negra na linha de frente das manifestações, usando aqueles óculos brancos. Talvez ela não soubesse o quanto essa foto se tornaria icônica – tenho certeza que não sabia – mas isso aconteceu e ela simplesmente salta aos olhos porque é maravilhosa e é uma mulher negra segurando um cartaz que diz “negar a igualdade é imoral”, quer dizer, ela é incrível.

Terceira manifestação na Casa Branca, em 23 de outubro de 1965, organizada para protestar contra a discriminação do governo em relação aos homossexuais. Barbara Gittings é a primeira na fila, Ernestine Eckstein é a quarta. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

 

EM: Tem uma foto dela no protesto de 1965 em frente a Casa Branca e eu fiquei me perguntando: “Quem é essa?” Agora eu sei. Por que a Ernestine é uma figura tão importante no movimento pré-Stonewall?

MG: Ela é essencial. Ela é essa pessoa que sintetiza as discussões e debates que estavam acontecendo acerca da visibilidade. E até mesmo sobre chamar isso de movimento em oposição a organizações que ajudavam as pessoas a ajustar seu status no mundo, o que era meio que a atitude homófila, a meu ver. Sabe, estamos aqui uns pelos outros para abrir o nosso caminho nesse ambiente hostil. E ela aparece e começa a dizer: “Olha, temos que aprender com o que os camaradas negros fizeram, temos que olhar para o movimento pelos direitos civis e temos que dar a cara, fazer nossas reivindicações, saber qual é a nossa, e ainda ser bastante visíveis e públicos em relação a isso.”

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KL: Você acredita em formas de desobediência civil para o nosso movimento  no momento atual ou no futuro?

EE: Fazer manifestação é algo que encaro quase como uma atividade conservadora hoje em dia. Sabe, as ocupações e coisas assim é que são o negócio do momento. E tudo isso é o processo educativo de chamar atenção para a injustiça da situação, que é a mesma coisa que o movimento negro fez.

KL: Aí voltamos para os trabalhadores que dizem para “não protestar”, o que é uma forma de ação política, e sim educar dessas maneiras meio choronas, como imagino que você as chamaria.

EE: Sim, isso para mim é uma diferença na definição de educação.

BG: Você define as manifestações como uma forma de educação.

KL: Eu defino desse jeito também.

EE: Definitivamente, não há dúvidas disso.

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MG: Outra coisa interessante é que ouvi Ernestine usar a expressão “se assumir”, que não estava no léxico na época. Barbara falava em “nos revelar”. Colegas falavam em “tornar-se mais visível”, “tirar a máscara”, esse tipo de coisa. Ela usou o termo “se assumir” e acho que talvez foi o começo do que viria a se tornar a nossa maneira de falar a respeito.

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EE: Bom, uma coisa que eu gostaria de ver é um certo respeito pelo autodesenvolvimento entre todos os homossexuais para que possam namorar em público, por exemplo, entende, abertamente. Para que possam reagir como outras pessoas o fazem publicamente. Não se tornar homossexual profissional, mas sentir uma certa liberdade consigo mesmo. Acho que isso é uma coisa pessoal. Não acho que isso faça parte do movimento, é uma coisa pessoal.

BG: Mas você acha possível no clima atual das opiniões que os homossexuais que têm essa autoconfiança em si mesmos façam isso abertamente?

EE: Acho que tem que ter muita coragem, e acho que muita gente que faz isso vai sofrer por causa disso. Mas acho que todo movimento precisa de uma certa quantidade de mártires corajosos. Não tem como evitar. Essa é de fato a única coisa que pode ser feita, você tem que se assumir e ser forte o suficiente para aceitar quaisquer consequências que venham. Eu acho.

BG: Então você está sugerindo que cada vez mais homossexuais devem se declarar e agir da maneira que quiserem, da maneira que agiriam se as restrições fossem retiradas e o preconceito também.

EE: Exatamente, acho mesmo.

BG: E você acha que isso vai ajudar a abater o preconceito em si?

EE: Acho.

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MG: Ela é tão atenciosa e provocativa, especialmente nesse toma lá dá cá com a Barbara e a Kay, que têm personalidades muito fortes, como você sabe, e ela também. Acho que o que eu mais gosto, tendo ouvido a entrevista de novo recentemente, são as pausas nos momentos em que ela devia parar, sem se deixar ser pressionada rumo a uma resposta para a qual ela não estivesse pronta. Ela tomava o tempo necessário fosse para concordar ou discordar, de maneira bastante graciosa, sobre algo que elas estavam discutindo. Elas queriam que ela traçasse conexões bastante claras entre o movimento pelos direitos civis dos negros e o movimento gay, e ela era muito mais cuidadosa. Quer dizer, ela certamente enxergava essas conexões, mas também continuava dizendo que o movimento gay não estava no mesmo ponto que o movimento pelos direitos civis dos negros, o movimento gay não estava nem perto, entende, ainda estávamos na aceitação de nós mesmos e tal. Então… Ao ouvi-la, esse enigma ganhou vida.

EM: E lá estava ela gravada na fita. Não só na fita, mas conversando com Barbara Gittings e Kay Lahusen. Vinte anos antes, mais de vinte anos antes de eu ter entrevistado Barbara e Kay. Soando… Elas próprias soavam estar muito mais em tentativa do que quando as conheci mais tarde.

MG: Interessante.

EM: E entrevistando a Ernestine de um jeito que sugeria que elas a estavam tratando quase como um espécime.

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BG: O que você acha dessa atitude por parte dos homossexuais que estão impacientes pela obtenção de seus direitos agora e não querem simplesmente esperar pelo lento processo de mudança?

KL: Sabe, o Dr. Pomeroy, por exemplo, sempre recai na educação. Agora temos que esperar e educar.

BG: Os homossexuais que têm opiniões fortes em relação a essa posição culpam-no por isso, dizendo: “Bom, ele é um heterossexual que não está sofrendo nesse sistema do mesmo jeito que nós.” Nós só estamos falando disso para ver como você reage. Enquanto alguém que está em outra situação de minoria.

EE: Bom, para falar um pouco sobre a outra minoria, a minoria dos negros, eu acho muito difícil esperar enquanto negra. No entanto, acho que no movimento homófilo, você tem outro tipo de situação. Não acho que se tenha outra escolha além de esperar. Quer dizer, acho que não podemos ser tão radicais enquanto homossexuais quanto se pode, se pôde e se faz enquanto negro. Porque a causa dos negros já é amplamente aceita, entende. Você sabe, o direito que um homem tem de votar e trabalhar e ir à escola independente da cor. A causa homossexual ainda não é aceita, e acho que isso deve vir primeiro. A aceitação. Só aí você pode pressionar de maneira tão avançada e frequente e afiada quanto quiser.

O movimento homófilo e a causa do movimento negro são diferentes. Acho que, em relação a isso, nós homófilos devemos ser, neste ponto, e em certa medida, dirigidos internamente. Acho que isso vai mudar conforme sejamos mais aceitos, mas nessa altura tudo se baseia na aceitação, ou ao menos na tolerância, ou ao menos em chegar a um público, e nós sequer conseguimos fazer isso ainda.

KL: Você acha que há maneiras que o nosso próprio movimento poderia imitar o movimento negro ou outros movimentos que não estão sendo feitas neste momento?

EE: Eu não acho que haja no movimento homófilo ênfase o suficiente em ação nos tribunais. Quer dizer, não consigo visualizar nesta altura o Presidente Johnson se pronunciando a favor de um projeto de lei pelos direitos dos homossexuais para trabalhar no governo hoje em dia. Sequer consigo visualizar um projeto de lei parecido com o projeto pela educação, de 1954. Eu gostaria de ver mais casos que abram precedentes no tribunal para que a questão possa ser tratada abertamente. Acho que quanto mais tivermos isso… Acho que isso ainda acontece muito pouco, até onde sei.

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EM: Essa era outra coisa na qual a Ernestine estava focada: mais casos nos tribunais. Isso era inovador?

MG: Sim. Tinha um bar gay em Atlantic City sobre o qual a Ernestine falava que a seção das DOB de Nova York tinha ajudado a levantar fundos para a defesa jurídica deles. Era realmente uma questão na época: as pessoas gays podem ir a um bar e socializar? Não havia nenhuma alegação de má conduta, era só: “vocês são um bar, pessoas gays vêm aqui, vamos fechar o local”. As coisas estavam começando, mas ainda era muito inovador começar a evocar esse tipo de ação. Sim, e ela estava bem ali.

EM: Ela usa o termo “travesti”, que era aceitável na época – e que não é mais hoje –, mas pedia que o movimento, independente de qual fosse ele, formasse uma coalizão que incluísse pessoas que hoje consideramos trans, e eu fiquei pensando… em 1965…

MG: Incrível. Totalmente. É isso aí. Isso também é bem impressionante. 

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EE: Tem alguns problemas gerais e mais amplos que todos nós temos enquanto homossexuais, de todos os tipos, por assim dizer. E devíamos nos concentrar nisso: recrutamento militar, empregos no serviço civil, a rejeição por parte da igreja, esse tipo de coisa que diz respeito a todos nós. Talvez até a questão das travestis, acho que isso foi negligenciado. Qualquer coisa que afete a todos nós.

KL: Fico surpresa que você tenha acrescentado isso, as travestis. Você acha que devemos pensar no direito delas de se vestir como bem entenderem sem discriminação ou…?

EE: Olha só, eu sinto que o movimento homófilo é apenas parte de um movimento muito maior de apagamento de rótulos. E acho que o direito de uma pessoa se vestir como quiser deve ser incluído necessariamente quando expandimos nossa própria filosofia de desencadear mudanças para os homossexuais.

KL: Elas têm duas organizações próprias e há realmente um grande número de pessoas que simplesmente não se dá conta de quantos homens heterossexuais gostariam de deixar isso pra lá e serem femininos desse jeito.

EE: É, não estou dizendo que seja um problema exclusivamente homossexual, e sim que é um problema de identidade sexual. E na medida em que isso envolve a sociedade, as duas coisas caminham juntas. Portanto, quando resolvemos o nosso lado, não vejo motivo para não começar a expandir rumo a outras áreas. E essa é aliada à nossa muito de perto.

BG: Você acha que ainda vai estar por aqui quando isso acontecer?

EE: Hum, não, não acho que isso vai acontecer no meu tempo de vida não. Só projetando.

[Risadas]

EE: Estou fazendo a profeta social, mas essa é a meta pela qual penso que devemos trabalhar.

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MG: Num momento em que as pessoas estão se dirigindo mais para uma segmentação e rotulação, ela diz: “Hum, acho que, no fim das contas, teremos que ser um guarda-chuva grande o suficiente.” Ela está meio que antevendo o impulso LGBTQ etc. do movimento.

EM: De certa forma, Ernestine está educando Barbara e Kay sobre interseccionalidade.

MG: Isso mesmo.

EM: Antes mesmo do termo ser usado. Você tem essa mesma impressão?

MG: Totalmente. É exatamente o que ela está fazendo. Ela está dizendo o mesmo que a Audre Lorde diria alguns anos depois: “Quando eu entro numa sala, você vê uma pessoa negra, uma mulher, uma lésbica, uma mãe? Você vê tudo isso. Eu sou tudo isso aí.” A Ernestine está afirmando esse tipo de realidade. E acho que o seu comentário de que elas estavam tratando-a meio como um espécime é muito verdade. Não sei como – e talvez por isso tenha sido uma entrevista de cinco ou seis horas – nem com que frequência, se é que acontecia, elas tinham a oportunidade de sentar e interrogar uma lésbica negra sobre suas ideias, sua vida, seus pensamentos, sua visão do movimento. E elas realmente tiraram vantagem disso, quer dizer, ela também estava disposta a isso, mas acho que ela incorporava algo completamente novo.

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EE: Eu encaro a homossexualidade ou o amor homossexual como uma forma de amor superior ao amor heterossexual. Não, é sério, muito sério, mais uma vez falando pessoalmente, e acho que principalmente como lésbica, é muito mais benéfico para mim e muito mais… Eu me comunico muito mais fácil, seja sexualmente ou de qualquer outro jeito, com uma mulher do que com um homem. Por isso, para mim, se estou namorando uma mulher, posso atingir com ela uma certa unidade de proximidade muito maior do que jamais poderia com um homem. E, por esse motivo, acho que é uma forma mais elevada de amor.

BG: Mas você está dizendo isso na sua experiência, não que você pense que o amor homossexual em si enquanto entidade seja melhor do que o amor heterossexual.

EE: Estou dizendo que, potencialmente, é sim. Digo que, até onde sei, ele geralmente não atinge esse nível, pelo que pude observar. Até onde me diz respeito, homossexuais se limitam muito ao sexo. No entanto, acho que isso é criado pela necessidade. O sexo não está tão disponível para os homossexuais quanto para os heterossexuais, você sabe.

BG: Por isso gasta-se mais tempo e energia com isso.

EE: Exatamente, exatamente. É esse o problema.

BG: E é por isso que você acha que as atividades sociais patrocinadas pelos grupos sejam uma coisa importante porque irão fornecer a necessidade que você precisa?

EE: Exatamente.

BG: Mas e as acusações dos heterossexuais de que isso leva a influenciar o sexo ilegal? O que você tem a dizer sobre isso?

EE: Acho que nós temos que decidir até que ponto podemos nos importar com o que pensam os heterossexuais. Sabe, a gente quer aceitação e os nossos direitos enquanto cidadãos e pessoas, mas isso não significa que toda nossa atividade e todas as nossas metas são definidas pelas mentes imundas dos outros.

O homossexual está escondido, exceto os estereótipos, e acho que eles têm que se tornar visíveis, entende. E se afirmar politicamente de todos os modos que qualquer outro grupo também faz. Aí acho que depois que começarem a fazer isso, a sociedade vai começar a dar cada vez mais.

KL: Você pensa nisso como aquilo que está envolvido no ato de sair e encontrar a sociedade.

EE: Ah sim, claro.

KL: Você não pensa nisso em termos de colocar uma saia e sair do bar.

EE: Não, não, não penso nesses termos. Ainda acho que as pessoas devem ser livres para fazer e se afirmar do jeito que escolherem. E se as pessoas querem ir a bares, isso é problema delas. Se elas querem usar calça, isso também é problema delas.

KL: Você não pensa em termos de ser mais responsável, um cidadão melhor.

EE: Pessoalmente, não sei qual é exatamente a definição de um cidadão responsável senão a de votar e escrever para o seu representante no Congresso, sabe, e manter um emprego responsável, ser de alguma forma um ser humano produtivo. Além dessa definição bastante ampla, não sei o que significa responsabilidade, entende. Sei que não significa que você está em conformidade com suas roupas ou práticas religiosas, esse tipo de coisa. Ou com sua preferência sexual.

BG: Bem colocado.

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EM: Então Ernestine Eckstein sai na capa da The Ladder e dá essa entrevista visionária para Barbara e Kay. Depois ela basicamente desaparece. O que aconteceu?

MG: Não se sabe nada de conclusivo, mas há algumas pistas. Por exemplo, Frank Kameny.

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Narração de EM: Só um rápido lembrete, Frank Kameny foi o fundador da Mattachine Society em Washington, DC, além de um orgulhoso militante homossexual que cunhou a frase “gay is good” [gay é bom]. Ele foi o organizador dos protestos dos quais Ernestine participou em 1965.

Ernestine Eckstein (mulher ao fundo, carregando uma bolsa) na terceira manifestação em frente à Casa Branca, em 23 de outubro de 1965, ocasião organizada para protestar contra a discriminação do governo em relação aos homossexuais. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

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MG: Ela o havia convidado para falar na seção de Nova York e foi rejeitada pela seção e teve que desconvidá-lo. Então, entre o momento em que ela dá essa entrevista a Kay e Barbara e é publicada na The Ladder, o que aconteceu em 1966, ela já não era mais vice-presidente.

Meu palpite é que ela não aguentou o conservadorismo da sua seção. Ela fica pelos arredores mais um tempo, mas não como líder, e depois vai para a região da Baía de São Francisco. Tudo o que sabemos é o que outras pessoas atribuem a ela, que foi que ela estava cansada das brigas internas.

Parece que houve uma ruptura grave para ela, e acho que também havia uma consciência de que ela podia dedicar suas energias de maneira mais considerável a outro grupo que era o Black Women Organized for Action, uma organização incrível na região da Baía de São Francisco, tocada por mulheres negras e ativistas fenomenais. Talvez o próprio amadurecimento dela como ativista acabou levando-a mais para o feminismo negro. É o que tudo indica.

EM: Ernestine Eckstein é um pseudônimo.

MG: Sim.

EM: Como você se sente quanto a revelar o nome de nascença dela?

MG: Acho que ainda me apego ao lado bastante conservador de tratar isso como o nome que ela usava no movimento. Eckstein era o nome que ela usava, por isso foi esse o nome que eu usei. E enquanto eu continuar escrevendo sobre ela, vou continuar usando esse nome.

EM: Então mesmo que o nome dela circule publicamente, você prefere não usá-lo.

MG: Eu uso. Só estou imaginando qual seria o desejo dela, embora nunca tenhamos nos conhecido nem falado uma com a outra.

EM: O que sabemos sobre os últimos anos de vida da Ernestine e quando ela morreu?

MG: Ela morreu em 1992. Sei que morreu em San Pablo, na Califórnia, que fica na região a leste da baía, e não sei do que ela morreu. Embora eu tenha ouvido de uma mulher que a conheceu no grupo das Black Women Organized for Action, que agora também já faleceu, que ela não estava bem. Eu não… Isso é tudo o que sei, não sei se ela… Gosto de pensar que ela tinha amigos e uma companheira e uma vida boa por lá.

EM: Bom, se alguém aí que está ouvindo conheceu Ernestine Eckstein, por favor, escreva para mim, Eric Marcus, em eric@makinggayhistory.org, e conte para nós. Adoraríamos saber mais sobre essa pessoa incrivelmente importante e essencial para o movimento, e que o encarava como tal antes da maioria das pessoas. Não sabemos muita coisa, mas, graças a você, agora sabemos muito mais do que sabíamos antes.

MG: Bom, obrigada àqueles que fizeram entrevistas e guardaram suas gravações. É isso aí.

EM: Muito obrigado por ter se juntado a nós.

MG: Obrigada, Eric. Foi maravilhoso.

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Narração de EM: Muito obrigado a todo mundo que faz com que o Making Gay History seja possível: a produtora-executiva Sara Burningham, o engenheiro de som Pran Bandi, o produtor Josh Gwynn, a coordenadora de produção Inge De Taeye, o editor de imagens Michael Green, e o produtor de mídias sociais Denio Lourenco. Um obrigado especial para Jenna Weiss-Berman. Nossa música tema foi composta por Fritz Meyers.

Making Gay History é uma coprodução da Pineapple Street Media, com assistência do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York, que nos forneceu a fita de arquivo de Ernestine Eckstein, e também do ONE Archives nas USC Libraries. A quarta temporada deste podcast foi possibilitada com fundos da Jonathan Logan Family Foundation, da Ford Foundation, da Calamus Foundation e de nossos ouvintes – como Carole e Dick Rifkind.

Carole e Dick vêm apoiando o Making Gay History desde muito antes do podcast existir, além de serem meus apoiadores pessoais e grandes amigos há quase quarenta anos. Dick faleceu no último dia de Ano Novo. Ele tinha 88 anos. Nossos sentimentos vão para a Carole e sua família.

Dick era um homem de poucas palavras, por isso eu ouvia atentamente sempre que ele dava conselhos. Sobre o Making Gay History, ele disse: pense grande. E assim fizemos. Dê uma olhada no MakingGayHistory.org para ver como o conselho do Dick nos inspirou a compartilhar essas histórias muito além do podcast.

Até mais! Nos vemos numa próxima!

Você ainda está aí? Aqui vai uma coisinha extra. Eu disse no começo do programa que a Ernestine Eckstein foi uma garota da capa pioneira. Bom, ela também foi uma garota da capa ligeiramente relutante. Ter sua cara estampada na capa de uma revista para lésbicas trazia consigo muitos riscos na década de 1960. Mas Barbara e Kay queriam encontrar um jeito de fazer isso funcionar.

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BG: Bom, Ernestine, olha só, imagino que deva ter um jeito de tirar uma foto sua para a capa que não tenha seus traços escondidos necessariamente, mas que tenha esse mesmo efeito. A Kay tem um exemplo, olha aqui.

EE: Podem fazer de qualquer jeito.

KL: Tem muitas maneiras. Você pode borrar alguém passando de scooter, ou… isso se você tiver uma scooter.

EE: Desde que meu supervisor no escritório não olhe para isso e diga: “Mas, Ernestine, reconheço seus olhos aqui”, entende. De verdade, estou disposta a tentar tudo.

KL: Nunca mostramos uma foto sem que a pessoa assine uma autorização.

BG: Bom, ela está obviamente disposta a…

KL: Um retrato de uma garota assim, com metade do rosto, vamos usar isso em breve.

BG: A única coisa que me oponho depois de ter feito isso é que pode implicar que é meia mulher.

KL: É.

EE: Ah, é.

KL: Imagine se a gente te fotografasse no retrovisor de um carro, entende? Com uma distância assim, você não consegue dizer direito. Bom, você não… você não anda de scooter, né? Uma garota numa scooter…

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Narração de EM: Dê uma olhada nas notas deste episódio em MakingGayHistory.com para ver a folha de contato desse ensaio. Aparentemente a ideia de usar uma scooter acabou não pegando.

Até mais! Nos vemos numa próxima. Desta vez é de verdade.

 

4a temporada – Episódio 9: Ernestine Eckstein é uma cortesia do Making Gay History. Encontre o podcast Making Gay History em todas as principais plataformas de podcast e em www.makinggayhistory.com.

 

Folha de contato de Kay Tobin do ensaio fotográfico feito no Greenwich Village para a edição de junho de 1966 da The Ladder, com Ernestine Eckstein. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

 

Detalhe da folha de contato mostrada acima. Crédito: foto de Kay Lahusen, cortesia do departamento de manuscritos e arquivos da Biblioteca Pública de Nova York.

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