Uma Mulher fala com a Morte

Judy Grahn: Uma Mulher Fala com a Morte

tradução de Angélica Freitas

 

Um
Depoimento que nunca foi ouvido em julgamentos

 

os dentes do meu amor são gansos brancos voando sobre mim
os músculos do meu amor são escadas de corda sob as minhas mãos

dirigíamos para casa devagar
meu amor e eu, pela longa Bay Bridge,
uma meia-noite de fevereiro, quando na metade
da última faixa da esquerda, vi uma cena estranha:

um jovem franzino, diante do gradil,
e na própria pista, parado bem em frente
como se pudesse deter alguma coisa, um jovem
graúdo, montado numa moto enguiçada
tranquilo como se estivesse diante de uma lanchonete;
usava um casaco de marinheiro e calças jeans, e
jogava a cabeça para trás, rugia, quase
dava para ouvir a risada, era
tão real.
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