“I’ve always thought writing is conversation and I suppose that implies on some level two bodies that meet.”

Gail Scott, autora de Minha Paris
Gail Scott, autora de Minha Paris


1 – What is the story behind My Paris? I mean, how did it come to be?

I was living in a writers’ studio, having been granted a six month sojourn by the Conseil des arts et des lettres du Québec. I iniitially thought it would be fun to do touristy  a pot-boiler, using Benjamin’s Arcades Project as a kind of guide. But the more I walked about Paris, this was in the 90s, the more I felt myself interested in what happends to the consécutive waves of avant garde militants and artists from Benjamin’s time to the present. So the book became a conversation with Benjamin and Gertrude Stein, among others, about these matters.

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“Tentando lembrar agora da foda da noite passada para que eu possa então tentar fazer uma analogia tão apropriada quanto fosse possível e ainda assim dizer a verdade.”

Douglas é autor de "Seu Corpo Figurado"

 

Entrevista com Douglas A. Martin, autor de Seu Corpo Figurado:

1 – Qual a história por trás de “Seu Corpo Figurado”?

Eu menti pra conseguir um grande agente depois do meu primeiro livro, Outline of My Lover. Quando eu fui para a reunião quando seria decidido se eu iria ou não ser publicado, contei como, além do livro que depois viria a se chamar “Once You Go Back” e no qual ela estava parcialmente baseando a sua decisão, eu também estava planejando escrever um livro sobre Anais Nin, uma coisa histórica. Paris em tal e tal ano. Eu era muito amigo do Colm Toibin na mesma época, e ele então tinha uma fé extrema no que eu estava fazendo com inspiração autobiográfica a que, apesar de tudo eu ainda me referia como ficção, criação de histórias. “Essa voz ficcional que você encontrou é  uma coisa especial” Ou algo nessas linhas. Eu ainda não havia publicado Seu Corpo Figurado até então, logo ele não sabia do que estava falando. Mas quando fui visitá-lo no escritório que ele manteve por um tempo na New York Public Library, parte de algum acordo ou residência – uma dessas coisas que eu mesmo nunca conseguiria – ele me perguntou algo como “O que eu iria fazer uma vez que tudo estivesse acabado?”. Mexendo nas coisas da minha infância, comecei a pensar que gostaria de ir para além de mim mesmo e ao mesmo tempo olhar para quem obteve sucesso ou não em seus próprios termos. Existem outras raízes para isso também. Eu não escreveria sobre o relacionamento que vivia na época, mas um namorado da minha idade, que não estava me bancando financeiramente, no máximo artisticamente, me deu o livro de Guy Davenport, Balthus. Outro garoto, esse me fez mudar a forma de falar para tentar ser mais parecido com ele, me deu uma monografia do Francis Bacon antes disso. Hart Crane eu não compreendia, mas tinha vontade de fazê-lo. Foi muito importante para mim ter uma coisa com que eu pudesse trabalhar dessa forma, aprendendo e então transcrevendo essa reação inicial para o que eu estava sorvendo. Ver então como todas essas reações podem se somar, em que áreas elas podem se conectar, e o que começa a ser dito. Não imaginamos o Narciso falando, certo? É uma rara alegoria. Como não torná-la preciosa, até mesmo com esses personagens românticos? Eu tinha acabado de sair do mestrado em escrita e nunca desejei ser um desses caras gays da minha turma que escreviam protagonistas femininas para si mesmo. Uma versão anterior continha a Nin e também O’Keeffe, conectando-as a Balthus e Crane respectivamente, através de outro homem, mas eu não consegui achar alguém similar para Bacon e Dyer, então essa parte da estrutura colapsou um bocado, e eu acabei optando por retirá-la no fim para manter o balanço. Começou ainda mais ambicioso.

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“Trying to remember now the fucking I did last night so I can try to train the analogy as felicitously as possible and still be telling the truth.”

1 – What is the story behind Your Body Figured? I mean, how did it come to be?

I lied to get a big agent after my first book, Outline of My Lover. When I had the uptown meeting where it would be decided if I would be taken on or not, I said how, in addition to the book that became Once You Go Back and that she was in part basing evaluation upon, I was also planning on writing a book about Anais Nin, a historical thing. Paris in so and so year. I was very friendly with Colm Toibin around the same time, who then had extreme faith in what I was doing in those autobiographically based works of mine which I still approached as fiction, story-making. “This fictional voice you’ve found is really something.” Or something like that. I hadn’t done Your Body Figured yet, so he didn’t mean it. But once when I went to visit him in his office he for awhile had at the New York Public Library, part of some fellowship or residency—one of those things I myself would never get—he did ask something like what I was going to do when it was all over? Going through the things of my childhood. I begin to think how I would ever want to move beyond self and at the same time looking at who did and didn’t succeed on their own terms…. There are other roots to it, too. I wouldn’t write about the relationship I was in at the time, but a boyfriend my age who wasn’t supporting me financially if artistically in a way gave me Guy Davenport’s Balthus book. Another boy I changed the way I talked to try to be more like had given a Francis Bacon monograph, before that. Hart Crane I didn’t understand and wanted to try to more. It was very important for me to have something I could work on by learning and then transcribing an initial reaction to what I was gleaning. See then how all those reactions might add up, what areas they might connect, what it begins to say. We don’t think of Narcissus as talking, do we? Such a rarefied trope. How not to make it precious, even these personages romantic. I had also just gotten out of grad school for writing and never wanted to be one of those gay guys in my classes who wrote female protagonist screens for themselves. An earlier version did have Nin and also O’Keefe, connecting them to Balthus and Crane respectively through another man, but I couldn’t find someone similarly for Bacon/Dyer, so that part of the structure collapsed a bit, and I let it go for balance in the end. It began even more ambitious.

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“Eu quero algo na minha boca. Eu não posso dizer mais do que isso. Inglês, punjabi, urdu, francês, espanhol. Eu não sei.”

 

Uma entrevista com Bhanu Kapil, autora de Incubação: um espaço para monstros:

1 – Qual a história por trás de Incubação: um espaço para monstros?

Eu era um ponto zero na forma de uma garota. Eu era uma imigrante e pegava carona. Essa é a minha autobiografia levemente disfarçada na forma de uma novela de ficção científica mal-escrita.

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“Nós entendemos tudo errado, eu acho, em relação à organização dos sentidos e dos condutores venais que imaginamos para descrever corpos.”

 

Uma entrevista com Nathanaël, autora de Je, Nathanaël:

1 – O pau-duro literário existe?

Tem que existir. Do contrário a sua Anatomia Primária, seu livro, não existiria. Talvez seja uma questão de qual linguagem para qual boca. E o que é um corpo nesse caso. Nós entendemos tudo errado, eu acho, em relação à organização dos sentidos e dos condutores venais que imaginamos para descrever corpos. Eu suponho que me questionaria, hoje, o que de fato é a literatura, uma vez que o esforço massivo parece ser de domesticação global. Quem é “nós”?, é uma outra pergunta.

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“We have it all wrong, I think, the organisation of the senses, and the venal conduits we imagine to describe bodies.”

1 – Does a literary hard-on exist?

It must do. Otherwise your Primary Anatomy would not exist. Maybe it is a matter of what language for what mouth. And what a body is in such a case. We have it all wrong, I think, the organisation of the senses, and the venal conduits we imagine to describe bodies. I suppose I would wonder, today, what a literature is at all, as the overwhelming effort seems increasingly to be one of global domestication. Who “we” is is another question again.
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“Ela cria um mundo que é maioritariamente muito doce, mas ela mina isso um pouco colocando egoísmo e tristeza.”

Tove por Tove

 

Para essa entrevista nós d’A Bolha, como de costume, fomos atrás do material mais completo e interessante que poderíamos encontrar sobre o nosso livro da semana e próximo lançamento: Moomin.

Entretanto, apesar da obra de Jansson ser reconhecida no mundo inteiro, a maior parte das entrevistas publicadas com a autora é na sua língua natal, sueco ou em finlandês. Portanto, a entrevista traduzida abaixo não é com a autora da série, Tove Jansson, nem com a Senhorita Snork e nem com a Mamãe Moomin. Dessa vez, o material que escolhemos trazer para vocês hoje vem de uma entrevista feita com Tom Devlin para o site Comics Reporter em 2006. Tom é um dos fundadores da Drawn & Quarterly e o responsável por trazer Moomin para um mercado internacional, e a entrevista trata exatamente do momento em que o primeiro volume estava prestes a ser lançado pela editora. Leia mais abaixo.

Tom Devlin – Em 2011 eu fui até Helsinki e tive sorte o bastante para fazer um tour pelo estúdio de Tove Jansson. Ela viveu no mesmo largo estúdio por 57 anos. Era fácil de imaginar a Tove lá. Eu vi a mesa onde ela costumava escrever, eu vi o forno a lenha que ela usava para aquecer a sua casa durante os longos invernos; eu vi as prateleiras e prateleiras de livros  ̶ muitos de autoria dela, ou seus livros favoritos de outros autores, ou até mesmo os álbuns de recortes de sua mãe, Signe, desenhados a mão, onde ela guardava as tiras que cortava do jornal. Eu vi a pequena alcova e a cama ainda menor onde ela dormiu por anos. Foi surpreendente o quão modesto o lugar  inteiro parecia. Até onde eu sabia, ela era a maior celebridade literária da Finlândia, e mesmo assim ela viveu uma vida tão simples. Claro, eu devia ter sabido disso antes de atravessar a sua porta. Está nos seus livros. E manifestada visualmente em seus quadrinhos. Os próprios Moomins vivem sua vida modesta. Eles vivem muitas  aventuras, mas o lar é simples, confortável, e não tem nada desnecessário.

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“Criar algo a partir do nada e fazer novas pilhas de coisas novas e dá-las para os amigos.”


Entrevista com Gary Panter, autor d’ O Babaca:

1 – Qual a história por trás d’O Babaca?

O Babaca é uma meditação sobre os babacas  ̶  eu queria que o quadrinho saísse engraçado e radical, mas eu não gosto de babacas. Gosto de pessoas legais. Existem babacas no mundo, e essa é uma piada e um aviso para que as pessoas tomem cuidado com esse tipo de gente. A tortura desse babaca chamado Henry Webb é que ele vive em um universo solipsístico. Todo mundo se parece com ele, então na realidade ele está se matando. É também sobre reencarnação, sobre a evolução individual cumulativa, tanto para cima ou para baixo.

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“O problema entre mim e a internet é que ela funciona em cima de fatos, números e informação. Mas sem a carne e o sangue e a respiração.”

Autor de "Gigantes do Jazz"

 

Tradução livre de entrevista com Studs Terkel, autor de Gigantes do Jazz, retirada dos sites Mother Jones e The Progressive. Entrevistas originalmente disponíveis em outubro de 1995 (Mother Jones) e outubro de 2004 (The Progressive).

1 – Você ainda digita as suas entrevistas na sua velha Remington. Você já entrou na internet? (Mother Jones, 1995)

Eles me pegaram nessa na última convenção da American Booksellers Association. Eu não sabia sobre o que eles estavam falando. O problema entre mim e a internet é que ela funciona em cima de fatos, números e informação. Mas sem a carne e o sangue e a respiração. Com quem eu estou falando? Com o que eles se parecem? Seria uma multitude, 25 pessoas do outro lado? Quem é aquele garoto estranho? E a senhora com uma muleta? O toque humano é o que falta.

Esse é um dos aspectos de Coming of Age, uma das reclamações de muitas dessas pessoas mais velhas. Tecnologia – alguns dos meus heróis e heroínas bem sabem – deixa-os um pouco infelizes porque tem algo pessoal faltando.

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