“É a mistura entre quadrinhos, publicação e arte que sempre me interessou.”

 

Tradução livre de entrevista com Stéphane Blanquet, autor de A Pior Notícia, retirada dos sites Liberation.fr e Laspirale.org. Entrevistas originalmente disponíveis em abril de 2005 (Libération) e fevereiro de 2015 (La Spirale)

1 – Você começou a publicar muito jovem. (Libération, 2005)

Eu autopublico desde os 15-16, quando montei um coletivo que se chamava Chacal Puant e publicávamos um fanzine chamado La Monstrueuse. Todos os artistas que eu admirava autopublicavam também, fazendo tiragens de cinquenta exemplares. É a mistura entre quadrinhos, publicação e arte que sempre me interessou. Acredito que a autopublicação permite que você se encontre consigo mesmo, sem ter de se confrontar imediatamente com um editor, ou um olhar crítico ou financeiro. É bom se surpreender com os seus próprios jogos. Eu sempre amei os artistas que contavam mal as histórias, mas que desenhavam muito bem, só que com um certo grau de precariedade, com um pouco de espírito de filmes de zumbis, como por exemplo o Y5/P5.

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“É estranho e um tanto perturbador porque nos lembra que somos claramente uma máquina ou um organismo.”

Entrevista com Seth, autor de Wimbledon Green:

1 – Qual a história por trás de Wimbledon Green?

Uma resposta simples. Depois que publiquei um livro de ilustrações dos meus cadernos de rascunhos (“Vernacular Drawings”) eu comecei a perder interesse em rascunhar ilustrações de página inteira nos cadernos a partir
daí… e descobri que estava mais interessado em fazer pequenas tirinhas soltas em vez disso. Eu fiz algumas peças autobiográficas nos meus cadernos, mas achei que elas eram um pouco tediosas de serem trabalhadas. Queria algo mais imaginativo, mais divertido de desenhar. Entretanto, eu também não queria colocar nem muito tempo nem esforço em planejar uma história complicada. Então eu decidi simplesmente improvisar e criar a narrativa enquanto desenhava, algo divertido mas fácil de inventar. Algo próximo de mim que eu não precisasse fazer pesquisa de nenhuma forma. Sendo um colecionador por natureza e conhecendo intimamente o mundo dos quadrinhos pareceu natural pra mim fazer uma história leve e engraçada sobre os tipos de colecionadores e as suas idiossincrasias.
Além disso, na época eu estava lendo um ótimo livro sobre colecionadores chamado “A Fine Madness” do N. Basbanes. Serviu como um bom guia pra minha história. Ladrões de livros, leilões corruptos e obsessivos compulsivos. Foi pura diversão.

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“Ah sim, a autopublicação é também inerentemente a grande ação anticapitalista…”

Heather Benjamin por Heather Benjamin

 

Entrevista com Heather Benjamin, autora de Exorcise Book:

 

1 – Qual a história por trás de Exorcise Book?

Exorcise Book nasceu basicamente de uma ideia que eu tive de fazer um livro que fosse apenas uma coleção de ilustrações, sem uma narrativa linear explícita, mas uma história solta formada a partir da repetição de imagens diferentes e símbolos.

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“A revista Animal foi formadora do meu caráter, eu tinha 12 anos, e ela determinou o rumo da minha vida.”

O Divino quando criança?

 

Entrevista com Adriano Motta, autor de Mickey Speed #_01:

 

1 – Qual a história por trás de Mickey Speed?

Vinha fazendo uma série de trabalhos chamados “Storyboards” desde 2004,para filmes que não existiriam. Eram uma associação livre de desenhos que sugeriam cenas cinematográficas. A estrutura desses desenhos quase que forçava quem se propusesse a lê-los a abdicar de uma ordem linear, tornando o processo de leitura totalmente randômico. Uma narrativa abstrata, algo que permeia todas as frentes do meu trabalho. Mickey Speed veio de uma vontade natural de produzir um dos meus Storyboards em forma de livro.

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“O ato de publicar vai contra a hegemonia do peido cheiroso.”

Rodrigo Martins por Rodrigo Martins

 

Entrevista com Rodrigo Martins, autor de Quadratura I e Quadratura II:

 

1 – Qual a história por trás de Quadratura I e II?

São imagens que buscam de diferentes formas se relacionar com uma espécie de rigidez comumente presente na estrutura rítmica da música popular (não o gênero, mas a música que possui características que dialogam com nossa intuição; dança).

Algumas imagens são mais ilustrativas, se relacionam com a ideia por uma questão formal. Já outras são consequências de ações que possuem a métrica como elemento fundamental. É uma tentativa de dar uma resposta pra algo que não fui capaz de entender por inteiro.

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“Eu posso brincar com as cores e as composições para tentar chegar mais perto de uma ideia sem totalmente entender aonde estou tentando chegar.”

Jesse Moynihan por Jesse Moynihan

 

Entrevista com Jesse Moynihan, autor de Forming:

1 – Qual a história por trás do Forming?

Forming é a minha história original de consciência ativa sobre o ego, a vida material e o potencial de todas as coisas vivas de se elevarem ou afundarem num lixão coletivo. Eu não tenho total certeza do que é a história, na verdade. Não, até eu terminar. Então talvez eu saiba.

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“Na verdade não pensei muito na construção de narrativas, são impressões de viagem, uma sucessão de momentos presentes que ao final se organizam como narrativa.”

Kammal João

 

Entrevista com Kammal João, autor de O Tempo sem Tempo:

1 – Qual a história por trás de O Tempo sem Tempo?

Bom, O Tempo sem Tempo nasce de um desejo de juntar uma investigação, que já vinha realizando em cadernos de desenho e anotações há alguns anos, com o projeto final da faculdade. A decisão de serem cartas endereçadas ao meu irmão mais novo surge um pouco depois quando na mesma época estava lendo o Cartas a Théo, do Van Gogh.

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“Eu gosto de publicar porque é uma forma de arte portátil. E barata. Você pode não conseguir comprar um quadro de $ 2.000, mas pode comprar um livro de $ 20.”

Marc Bell

 

Entrevista com Marc Bell, autor de Shrimpy e Paul:

 

1 – Qual a história por trás de Shrimpy e Paul?

Eu queria fazer um dueto de comédia clássica. Acho que fui influenciado por comédias antigas, como a animação Fleischer Brothers, e quadrinhos novos como Frank de Jim Woodring.

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“Acho que a possibilidade de ‘escrever’ sem precisar de um texto é o que mais me atrai. Por mais que não haja um texto ali, as pessoas falam que ‘leram meu livro’, não apenas que ‘o viram’.”

Virgílio por Virgílio

 

Entrevista com Virgílio Neto, autor de Talvez o mundo não seja pequeno:

 

1 – Qual a história por trás de Talvez o mundo não seja pequeno?

A história de alguém que é curioso e encantado por algumas coisas do mundo e que usa o desenho pra compartilhar esse encanto com outras pessoas.

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